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Feira do Livro

MENSAGENS

Presidente da República homenageia memória de José Mário Branco

Foi com consternação que o Presidente da República recebeu a triste notícia do falecimento de José Mário Branco, uma figura que ajudou a marcar uma viragem histórica em Portugal.

Foi uma referência do período de resistência à ditadura, da revolução e pós-revolução de Abril e de uma geração que, através da sua voz, exprimiu a vontade de mudança política económica e social na sociedade portuguesa: O seu desaparecimento representa uma grande perda. Era uma pessoa muito independente, muito firme nas suas convicções e muito mobilizador por uma certa austeridade de comportamento e firmeza na luta. Foi sempre um revolucionário, um insatisfeito, desejando sempre muito mais e muito melhor.

José Mário Branco era um escritor de canções, e um dos mais consensuais músicos portugueses, embora tenha sempre sido um homem de convicções, mais do que de consensos. A sua música era trauteada e cantada por pessoas de vários quadrantes políticos, mas aquilo que marcava a sua música era um desejo de mudança profundo, sincero.

A música moderna portuguesa deve-lhe não apenas os seus discos, magistrais, mas também aqueles que produziu, o trabalho de todos os artistas que, além do talento que têm, evoluíram e aprimoram com José Mário Branco a sua voz, a sua dicção, a sua arte, nomeadamente os fadistas.

A sua forte consciência política, que se manifestou nas canções, nas tomadas de posição, e, em vários momentos, na militância, não o impediram de contribuir para resgatar um género como o fado de definições e constrangimentos e entendimentos redutores.

Desde 1971, quando gravou “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”, exilado em Paris, que José Mário Branco foi, depois de José Afonso (com quem colaborou), o nome fundamental da música portuguesa, uma música portuguesa moderna, consciente de uma história que vem dos cancioneiros, interventiva, atenta à canção francesa e brasileira e ao folk e ao jazz anglo-saxónicos.

Disco a disco, mesmo depois do regresso a Portugal e da democracia, escreveu sobre margens, resistências, solidariedade, primeiro de forma combativa, mais tarde num registo quase elegíaco, não conformado. Tornou as canções, as suas e as dos outros, sofisticadas em termos de arranjos e orquestrações, mas intensas e genuínas no que diziam e no modo como diziam, exprimindo a exigência e a inquietação de um artista maior.

À sua família, e em especial à sua mulher, Manuela de Freitas, o Presidente da República exprime o seu pesar e a sua gratidão.

19.11.2019
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