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Presidente da República envia condolências à família de Edgar Morin

O Presidente da República, António José Seguro, recebeu com profunda tristeza a notícia da morte de Edgar Morin, um dos grandes pensadores do século XX e do nosso tempo.

Edgar Morin viveu e pensou um século que foi o mais violento e o mais transformador da história humana. Quando a Alemanha nazi invadiu a França, em 1940, não hesitou, juntou-se à Resistência e adotou o pseudónimo Morin, nome com que ficaria para sempre conhecido e com que assinou uma obra que atravessou décadas e fronteiras. Pensamento e ação, democracia e liberdade nunca estiveram nele separados.

Investigador do Centro Nacional de Investigação Científica (CNRS) de França, Edgar Morin construiu uma obra de rara amplitude, combinando a complexidade e a reflexão sobre os média e a cultura de massas, a crítica do pensamento simplificador e a pedagogia do futuro. A sua obra não se deixou encerrar em nenhuma disciplina. Foi precisamente isso que fez dele uma referência incontornável para gerações de investigadores, professores, políticos e cidadãos em todo o mundo.

Edgar Morin escolheu Portugal como um espaço de relação especial. Veio pela primeira vez nos anos sessenta, a convite de António Alçada Baptista e da revista «O Tempo e o Modo», e regressou ao longo de várias décadas. Recebeu distinções académicas em universidades portuguesas, apresentou obras e chamou a Portugal um país extraordinário, tão profundas eram as suas ligações ao mundo da língua portuguesa. Portugal reconhece nele um mestre do pensamento e da liberdade.

O Presidente da República apresenta as suas mais sentidas condolências à família de Edgar Morin, aos seus amigos e a todos os que, em Portugal e no mundo, foram por ele ensinados a pensar com mais humildade, mais rigor, mais humanidade e mais liberdade.