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Intervenção no encontro com alunos portugueses no Luxemburgo

Que alegria estar aqui convosco!

Olhar para esta sala e ver estes rostos, cheios de energia, cheios de futuro, é ver Portugal vivo no centro da Europa.

É também perceber, melhor do que qualquer discurso poderia explicar, porque é que escolhi o Luxemburgo para celebrar o primeiro Dia de Portugal do meu mandato.

Vim até aqui por muitas razões. Mas vim também por vós.

Quero começar por agradecer às autoridades luxemburguesas, ao país e às comunidades locais que acolheram estas famílias com generosidade e respeito ao longo de gerações.

O Luxemburgo tratou bem os nossos compatriotas.

E soubemos retribuir. Com trabalho, com dedicação, com a naturalidade e a capacidade de adaptação que são marcas do povo português.

Hoje, a comunidade portuguesa é uma parte da identidade do Luxemburgo. 
Os portugueses e lusodescendentes não são apenas uma força no Luxemburgo,  são uma força do Luxemburgo.

E por onde passei nestes dias encontrei portugueses em lugares de grande responsabilidade. Senti orgulho. Um orgulho genuíno.
 
Meus amigos jovens e gente ainda mais nova.

Muitos de vocês nasceram aqui. Outros vieram muito pequeninos.

Cresceram entre várias línguas, duas culturas, dois países.

Há quem pense que isso complica a vida.
Eu penso o contrário: isso enriquece o coração.

Ter dois países não significa ter o coração dividido. Significa ter um coração maior, onde cabem dois países extraordinários.
 
Vi o vídeo que prepararam.

Li o que escreveram sobre o que Portugal significa para vocês.

Fiquei impressionado. Melhor dito, fiquei, ficámos emocionado.

Portugal está nos vossos avós que ligam pelo telefone.

Está na comida que a vossa mãe faz ao fim de semana, ou o vosso pai.

Está nas histórias que ouviram contar.
Está nas músicas que conhecem sem saber bem quando as aprenderam.

E, acima de tudo, está na língua que estão a aprender aqui, nesta sala, muitas vezes depois de um dia longo de escola.

Muitas vezes a um sábado de manhã quando os amigos estão a brincar. Isso merece admiração. E, na minha opinião, merece um obrigado sincero.

Por isso, deixem-me dizer-vos uma coisa simples: cada palavra em português que aprendem é um abraço aos vossos familiares, à vossa história e, tenho a esperança, também ao vosso futuro.

É uma viagem no espaço e no tempo de Portugal.

Às nossas praias, à nossa história, à nossa cultura.

É também uma chave que abre portas no mundo inteiro, porque o português é falado por 260 milhões de pessoas em quatro continentes. Por vários povos e com muitas culturas.

Quando estiverem cansados nas aulas, lembrem-se disso. Não estão apenas a aprender uma língua. Estão a ligar-se ao mundo.

Aos Pais e Professores,

Quero dirigir-vos uma palavra especial.
Trazer os vossos filhos às aulas de português, depois do horário escolar ou aos fins de semana, exige esforço. Exige organização. Exige, muitas vezes, sacrifício.
O que estão a fazer é sublime.

Estão a dar-lhes raízes. E as raízes não limitam, libertam, fazem crescer.

À coordenadora do Ensino de Português no Benelux, Mónica Bastos, e a todos os professores desta rede, o meu agradecimento sincero.

Portugal tem aqui 31 professores que ensinam a língua portuguesa desde a pré-primária até à universidade, a quase três mil alunos.

É um trabalho extraordinário.

Quero que saibam que é reconhecido e valorizado pelo Presidente da Republica Portuguesa e também pelo Senhor Primeiro-Ministro. Li algumas reportagens sobre o vosso trabalho e percebe-se rapidamente a forma encantada como seduzem crianças e jovens, não apenas portugueses, mas de outras nacionalidades, a aprenderem a nossa língua. O meu obrigado por isso.
Deixei aos responsáveis luxemburgueses um apelo claro: que alarguem a disponibilização do Português como língua de opção no programa curricular do ensino secundário integrado.

Num país onde cerca de um terço dos residentes é lusófono, onde o português é a segunda língua principal falada em casa pelos alunos do ensino público, isso não é um favor a Portugal.

É uma opção decisiva para o fortalecimento de uma comunidade dinâmica e coesa.
 
Caros jovens,

Termino com uma promessa.

Portugal está sempre de braços abertos a receber-vos.  

Sim, para as férias, mas também para estudar, para trabalhar, para investir, para construir uma vida se um dia assim o decidirem.

Encontrarão um país que vos espera e que precisa de todos.

Mas onde quer que estejam, aqui no Luxemburgo, em Portugal, ou noutro lugar qualquer do mundo, nunca se esqueçam de uma coisa: são portugueses.

E isso é algo de que podem ter muito orgulho.

Continuem a estudar com alegria.
Continuem a falar português em casa.
E quando alguém vos perguntar de onde são, digam com a cabeça erguida e um sorriso: sou português. Do Luxemburgo e de Portugal.

Obrigado a todos. Parabéns pelo vosso trabalho.

E vivam as nossas crianças!