É uma honra participar nesta cerimónia dos Prémios Dr. Jorge Ruas. Por vários motivos. Antes de mais, é o reconhecimento da excelência científica e tecnológica. Por outro lado, estes prémios representam uma visão de futuro para a saúde em Portugal.
Um atributo que ganha relevância quando os sistemas de saúde enfrentam desafios cada vez mais complexos. Talvez, o mais problemático seja a demografia, devido ao acentuado envelhecimento da população. Este ano somos o segundo país mais envelhecido da União Europeia. A tendência é de agravamento e pode transformar-se numa bomba-relógio nas próximas décadas com efeitos violentos nos sistemas de saúde. No presente, se arrastarmos a incapacidade em resolvermos problemas estruturais, juntam-se outras dificuldades, como por exemplo doenças crónicas, pressão financeira, desigualdades e dificuldades no acesso e necessidade crescente de inovação.
Neste difícil contexto é reconhecido que a ciência, a tecnologia e a capacidade de transformar conhecimento em soluções concretas para as pessoas são instrumentos vitais para ajudar a sustentabilidade dos sistemas de saúde em Portugal. E não só, são igualmente instrumentos essenciais para a melhoria da qualidade de vida das populações e impulso para o desenvolvimento económico.
Sem dúvida que, para garantirmos a sustentabilidade dos sistemas de saúde, temos de contar com o esforço, a disponibilidade, o saber e a inovação de muitos agentes da área da saúde. E, neste quadro, a indústria farmacêutica assume um papel absolutamente central. É um motor de investigação, de desenvolvimento tecnológico, de qualificação de recursos humanos e de criação de valor para o país.
É um setor que investe em conhecimento, que estabelece pontes entre universidades, hospitais, centros de investigação e empresas, e que transforma descobertas científicas em terapêuticas capazes de salvar vidas, melhorar a qualidade de vida e aumentar a esperança média de vida das populações.
A ambição é irmos mais longe. Portugal precisa de se afirmar cada vez mais nesta área e avançar para o passo seguinte: ser também produtor de inovação em saúde. E é por isso que iniciativas como o Prémio Jorge Ruas são importantes. Estimulam o talento, aproximam ciência e indústria, valorizam o empreendedorismo científico e criam condições para que boas ideias possam evoluir para projetos concretos e com impacto real na vida das pessoas.
O Dr. Jorge Ruas deixou precisamente esse legado. Uma visão de longo prazo, com a aspiração de Portugal vir a ter empresas farmacêuticas competitivas, inovadoras e internacionalizadas. Uma visão que aposta em sinergias ao unir rigor científico, capacidade empresarial e compromisso com a saúde pública.
O percurso do Grupo Tecnimede é, aliás, um exemplo muito relevante da evolução do setor farmacêutico português nas últimas décadas.
Uma empresa portuguesa que soube crescer, internacionalizar-se, apostar em tecnologias avançadas e em inovação, resultado de parcerias com investigadores, universidades e centros tecnológicos.
É precisamente essa lógica de aproximação entre ciência e aplicação prática que torna o Prémio Dr. Jorge Ruas especialmente relevante. O seu valor vai muito para além do apoio financeiro que proporciona aos projetos distinguidos.
Estes prémios representam reconhecimento, visibilidade, credibilização e sobretudo uma oportunidade para acelerar projetos inovadores, aproximando-os das necessidades reais dos doentes e dos sistemas de saúde.
Importa ainda sublinhar que inovação em saúde não é apenas criar novos medicamentos. Em primeiro lugar é prevenir. É criar melhores respostas para os doentes. É desenvolver diagnósticos mais precoces, terapias mais eficazes, processos mais sustentáveis, soluções digitais mais inteligentes e modelos de colaboração mais próximos das necessidades das pessoas.
Deste modo, a inovação em saúde é, acima de tudo, uma expressão de esperança e confiança. Esperança, essencialmente, para quem espera um tratamento. Esperança e confiança de que a ciência melhora a condição humana.
É, por isso, que estes prémios têm também uma dimensão simbólica muito forte: distinguir quem ousa inovar, quem procura novas respostas e quem acredita que o conhecimento pode melhorar as nossas vidas.
Ao reconhecimento precisamos, depois, de criar condições para materializar esses projetos.
É um processo em continuo. Continuar a valorizar os investigadores, os cientistas, os profissionais e empresas inovadoras para se alcançarem mais e melhores resultados. Apostar e investir em novas aplicações e ferramentas, como por exemplo a inteligência artificial, que abrem enormes janelas no conhecimento e na investigação e, por sua vez, são geradoras de mais valias e inovação.
Portugal precisa de apostar neste processo virtuoso. Para isso, precisa de criar condições para atrair investimento, acelerar ensaios clínicos, promover colaboração entre academia e indústria e transformar conhecimento científico em valor económico e social.
Porque investir em saúde não é um custo. Pelo contrário, é uma das formas mais inteligentes de investir no futuro de Portugal.
Termino com a esperança de que estes prémios continuem a inspirar novas gerações e a aproximar ciência, indústria e sociedade.
E que continuem a lembrar-nos que o progresso em saúde nasce sempre da capacidade de imaginar mais, de investigar melhor e inovar com o propósito de servir as pessoas.
Muito obrigado.