Fui convidado para a sessão de abertura da Portugal Football Summit, o que faço com todo o prazer, mas devo começar por dizer que sou um terrível treinador de bancada e um sofredor até ao último minuto da seleção nacional e dos meus clubes favoritos.
Feita esta ressalva, que serve como antecipação do jogo do próximo domingo, cumprimento o Dr. Pedro Proença, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e felicito-o por esta decisão, de trazer o Portugal Football Summit, pela primeira vez, a uma edição internacional.
Em Miami, em pleno Mundial, no coração do maior evento global sobre o futuro deste desporto. Diz muito sobre a ambição do futebol português.
Saúdo igualmente os organizadores, os parceiros institucionais, empresariais e académicos e todos os que aqui se reúnem. Presidentes de federações, dirigentes, investidores e executivos que moldam toda a envolvência do futebol à escala mundial.
Mais uma vez, agradeço o convite para participar numa iniciativa que cruza, de forma tão natural, desporto, economia, turismo, inovação e diplomacia.
Senhoras e Senhores,
O futebol é hoje uma das maiores plataformas de projeção internacional de Portugal.
Muitas pessoas, em todos os continentes, conheceram Portugal pela primeira vez através do futebol. Através dos nossos jogadores, dos nossos treinadores e das nossas estruturas de formação.
O futebol português é uma marca de qualidade, de talento e de excelência. E ajuda a reforçar a imagem de Portugal como um país moderno, competitivo e inovador.
Esta cimeira é prova disso. Quando uma federação nacional consegue reunir em Miami dirigentes de empresas transnacionais e muitos outros protagonistas da indústria global, isso significa que Portugal também decide o futuro do futebol e com voz própria e respeitada.
Senhoras e Senhores,
Permitam-me uma palavra mais pessoal.
Eu joguei futebol. No Penamacorense, na minha terra. O meu filho joga futebol. Mas, como quase todos os portugueses da minha geração, eu não comecei a jogar num clube. Comecei na rua. Como tantas crianças, em tantas ruas, jardins e espaços públicos deste mundo.
E é por isso que quero deixar aqui um apelo, no meio desta cimeira de dirigentes e investidores.
É bom que muitas crianças sejam encaminhadas para clubes e academias.
É assim que se formam os profissionais de amanhã. Mas não nos esqueçamos de onde tudo começa. A principal festa do futebol não tem início nos estádios.
Aí já somos adeptos. A festa do futebol é ao final da tarde, numa rua, num jardim, num espaço público, onde meia dúzia de crianças improvisam uma baliza e um jogo. É muito mais do que competir, ganhar ou perder. Trata-se de conviver, de socializar, de integrar, de sonhar. É viver, é partilhar.
Essa é a verdadeira essência do futebol. E faço um apelo para que toda a indústria, os clubes, as federações, os autarcas e os investidores, valorizem e apadrinhem essa prática espontânea. O futebol de rua, e tantas outras modalidades nascem assim, são uma escola de cidadania antes de serem uma escola de desporto. Quem investe no futebol não deve esquecer essa raiz.
Senhoras e Senhores,
O futebol tem ainda uma capacidade que poucas realidades possuem: a de unir. Quando joga a Seleção Nacional, milhões de portugueses partilham as mesmas emoções. Dentro e fora do país. Em Lisboa ou em Miami, em Penamacor ou em Newark.
O futebol cria um sentimento de comunidade e de destino comum que atravessa fronteiras, gerações e diferenças sociais e económicas.
A Seleção Nacional representa muito mais do que resultados. Representa valores que são profundamente portugueses. O mérito, o trabalho, a dedicação e a ambição.
E representa também a nossa capacidade de acolher porque os estádios cheios, com o entusiamo de adeptos de várias nacionalidades, demonstram o prestígio que o futebol português alcançou no mundo.
A parceria entre a Federação e o Turismo de Portugal, materializada na Portugal House, é um exemplo inteligente desta articulação entre desporto, turismo e diplomacia económica.
O futebol como porta de entrada para dar a conhecer a nossa cultura, o nosso património, a nossa gastronomia, a nossa inovação e a nossa capacidade de acolhimento. O desporto ao serviço da promoção do país.
Senhoras e Senhores,
Estamos nos Estados Unidos e não posso deixar de dirigir uma saudação especial à comunidade portuguesa e luso-americana.
Os portugueses nos Estados Unidos são um dos maiores ativos da presença de Portugal no mundo. Contribuíram, ao longo de gerações, para o desenvolvimento das sociedades onde se integraram. Com trabalho, com dedicação e com dignidade.
E mantiveram sempre vivos os laços com Portugal. O futebol e a Seleção Nacional são, para muitos deles, um dos fios mais fortes dessa ligação afetiva à terra de origem.
A todos os luso-americanos, onde quer que estejam neste imenso país, deixo o reconhecimento e o abraço de Portugal.
Senhoras e Senhores,
Sem dúvida que o prestígio internacional do futebol português é para nós motivo de orgulho. Mas, também temos de o assinalar, o prestígio implica responsabilidade.
O compromisso de continuar a promover a integridade desportiva, o respeito, a inclusão e o fair play.
A responsabilidade de pensar a formação, a sustentabilidade e a inovação tecnológica de forma séria. A exigência de garantir que o crescimento económico do futebol não esmaga os valores que o tornaram grande.
Tenho confiança no futuro do futebol português. Confiança na capacidade de Portugal continuar a afirmar-se no mundo através do talento, da excelência e dos seus valores.
Porque o futebol é hoje uma das mais fortes expressões da capacidade de Portugal se afirmar no mundo e de unir os portugueses, onde quer que estejam.
No domingo, a nossa Seleção defronta a Colômbia. Estarei lá, como estará lá a alma de milhões de portugueses. Os resultados ajudam, é certo. Mas ajudam também as boas exibições e o desportivismo. Espero que, no domingo, a Seleção Nacional reforce esta imagem de Portugal através dessas três expressões: do resultado, do jogo e do respeito pelo adversário.
É essa a melhor forma de mostrarmos ao mundo quem somos.
Vamos, Portugal!
Muito obrigado.