Agradeço ao Eng. Miguel Stilwell de Andrade e ao Dr. Lobo Xavier o convite para participar nesta evocação de meio século de vida da EDP.
Neste género de celebrações, e em particular quando se assinalam 50 anos de uma grande empresa, a tentação é olharmos para o passado e, sem dúvida, com toda a justiça.
No entanto, numa empresa como a EDP, o foco do olhar deve ser num futuro ambicioso. Porque a energia é, por natureza, um ativo de futuro. Quem a produz está sempre, de certa forma, a acender a luz de amanhã.
Senhoras e Senhores,
No Portugal contemporâneo, a relevância da EDP ultrapassa largamente a componente económica e tecnológica. A história da EDP é indissociável da história da eletricidade em Portugal e do Portugal moderno.
Recuar ao momento da criação da EDP é recordar um país onde a eletricidade chegava apenas a alguns pontos do território.
O setor estava disperso por empresas regionais, com sistemas distintos, tarifas diferentes e enormes assimetrias entre regiões, entre as cidades e o mundo rural. A luz, que hoje damos por garantida, era então um privilégio desigualmente distribuído. Foi graças à democracia que se mudou este panorama. Treze empresas de diferentes regiões fundiram-se, criaram escala e a ambição de levar a eletricidade a todos e em todo o país.
A EDP nasceu em junho de 1976 para cumprir esse desígnio. Para responder às exigências que o desenvolvimento social e económico colocava a um Portugal que queria, finalmente, ser igual para todos.
A eletrificação do país exigiu investimentos em linhas, subestações e centrais para aproximar todo o território em termos do seu desenvolvimento e garantir a segurança do abastecimento elétrico.
A partir dos anos noventa, a EDP avançou para uma nova fase e soube reinventar-se. Abriu o seu capital, iniciou a descarbonização, cresceu internacionalmente e levou o nome de Portugal ao mundo.
Hoje, meio século depois, a EDP é uma das empresas de energia mais relevantes do mundo e um exemplo do potencial de Portugal quando a ambição e a competência caminham juntas.
E não faltam novos desafios, tendo em conta a necessidade de energia mais sustentável, mais inteligente e mais resiliente. As oportunidades são muitas e desafiantes. Portugal está numa posição privilegiada para as aproveitar devido aos seus recursos naturais. No entanto, devemos sublinhar que estas oportunidades só se concretizam se enfrentarmos com sucesso três desafios determinantes.
Primeiro, a segurança de abastecimento: de nada vale produzir energia se não conseguirmos garantir que ela chega, todos os dias, a todas as horas, a quem dela precisa. A crescente eletrificação da economia exige redes robustas e inteligentes e soluções de reserva que permitam dar resposta às necessidades em cada momento. A segurança de abastecimento é a condição para que famílias e empresas confiem no sistema energético.
Segundo, custos baixos e previsíveis: a transição energética não pode ser feita à custa da competitividade das empresas, nem do poder de compra das famílias. Custos baixos e previsíveis são essenciais para que possamos planear o futuro com confiança, para que uma indústria saiba hoje o que vai pagar pela energia que amanhã investirá nos seus produtos, para que uma família consiga orçamentar a sua fatura sem inquietações.
A volatilidade dos preços é um inimigo da evolução energética, porque mina a confiança que é necessária para que todos – cidadãos, empresas, investidores – continuem a apostar nela.
Terceiro, o respeito pelo património: explorar sem estragar. Os recursos naturais que nos permitem produzir energia – os nossos rios, as nossas paisagens, a nossa biodiversidade – são também património que herdámos e que temos o dever de entregar às próximas gerações nas condições, pelo menos, de como as que recebemos. Cada decisão deve ser pensada não apenas em função do que produz ou do que permite entregar, mas também em função do que preserva.
Estes três objetivos, segurança, custo e sustentabilidade, não têm de estar em tensão entre si. É fundamental equilibrá-los em cada decisão, em cada investimento, em cada quilómetro de rede que construímos ou central que erguemos.
Senhoras e Senhores,
Portugal, há cinquenta anos e recém-saído de uma revolução, decidiu que a energia não podia continuar dispersa, desigual e incerta. A partir dessa ambição criou uma empresa que ajudou a transformar Portugal.
Hoje, perante as alterações climáticas, a digitalização e a geopolítica da energia, temos novas oportunidade e a mesma responsabilidade: decidir com ambição e igual seriedade o futuro energético que queremos deixar.
Os meus votos é de que os próximos cinquenta anos sejam tão decisivos como os primeiros. E que, daqui a meio século, quem estiver nesta sala, possa dizer que nós soubemos iluminar sem apagar o que nos é mais valioso.
Parabéns à EDP. Parabéns a todos os que, ao longo de meio século, levaram luz a Portugal.
Muito obrigado.