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Intervenção na Inauguração das Festas do Povo de Campo Maior 2026

Começo por agradecer o convite para presidir à cerimónia de abertura das Festas do Povo de Campo Maior.

É com enorme prazer que aqui estou. E confesso-vos: estou deslumbrado com o resultado do vosso empenho, com o vosso talento, com a dedicação de todas as pessoas desta terra.

Na verdade, percebe-se, de forma muito evidente, o motivo por que as Festas atraem milhares de visitantes e obtêm um enorme alcance em todo o país e fora de Portugal.

São belas. Mas, no meu entender, vão muito para além da beleza.
As Festas do Povo mostram ao país e ao mundo que, quando uma comunidade se une em torno de um sonho comum, é capaz de alcançar resultados extraordinários.

O papel que se dobra e cumpre o milagre das rosas. A beleza de um gesto que é, antes de mais, solidário.

A Casa das Flores, que durante meses guarda o segredo de uma rua e que agora se revela em todo o seu esplendor.

A arte de contar uma história com cores e com formas, transmitida de geração em geração. Como aqui se diz, e diz-se bem: as mãos que fazem tradição.

A emanação de uma vontade que se manifesta na centena de ruas que convergem todas para a identidade de um povo.

Ou, como está escrito no vosso jardim: há um sítio no mundo onde as flores nascem quando o povo quer.

Por tudo isto, não foi preciso esperar pelo reconhecimento da UNESCO em 2021. Porque desde a sua origem, há mais de um século, estas são as Festas do Povo e da Humanidade.

São festas das pessoas. Da sua vontade. Da sua criatividade, da sua imaginação, do seu empenho. E dos laços que unem uma comunidade, geração após geração. Do que de melhor tem a humanidade. Do melhor que temos dentro de nós.
Pessoas que, unidas, fazem acontecer. Fazem nascer um jardim de flores.

Pessoas que se complementam no dia a dia e nos serões. Porque estas Festas fazem-se de muitas noites de trabalho partilhado, de conversa, de convívio.

O que aqui se constrói não são apenas ruas enfeitadas. É tecido comunitário. São laços sociais, em sociedades deslaçadas. São pessoas que, em vez de se fecharem no seu mundo, escolhem abrir-se ao mundo dos outros. Um exemplo de humanismo e de empatia.

Pessoas inesquecíveis, como o Comendador Rui Nabeiro que, entre tantos outros gestos de generosidade, foi um dos grandes impulsionadores desta manifestação coletiva. A sua memória está, também ela, nestas ruas.

E pessoas que regressam à sua terra e que não esperaram 11 anos para voltar a ver as Festas do Povo. Porque, para onde quer que vão, levam consigo uma imagem tão imaterial quanto eterna das Festas do Povo de Campo Maior.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Vivemos um tempo em que quase tudo é imediato, descartável e feito para durar pouco. Um tempo em que se compra o que antes se fazia e em que a pressa substituiu a paciência.

Campo Maior faz exatamente o contrário.

Aqui, durante meses, milhares de mãos dobram papel, sem pressa, sem pagamento, sem outra recompensa que não seja o orgulho de ver a sua rua florir. Aqui, o valor não está apenas no produto final. Está igualmente no tempo que as pessoas escolheram passar juntas para dar corpo a um projeto coletivo.

É aqui que reside a força de Campo Maior: nas pessoas.

É por isso que estas Festas são património da Humanidade. Pela beleza, que é imensa, mas, igualmente por algo que o mundo está a esquecer: que as comunidades se constroem com tempo, com paciência e com trabalho partilhado. Vivemos tempos em que tantas vezes se fala do que nos divide. Campo Maior recorda-nos que há sempre muito mais que nos une.

Dirijo palavras de profundo agradecimento a todos os que, durante meses, dedicaram o seu tempo, o seu talento e o seu coração para tornar possível esta maravilha. O vosso trabalho é invisível durante meses, mas torna-se inesquecível quando as ruas florescem e recebem milhares de visitantes.

Portugal precisa deste espírito. Portugal precisa de comunidades que acreditam em si próprias, que trabalham juntas e que mostram que a cooperação e a entreajuda é sempre mais forte que os egoísmos e os divisionismos.

Campo Maior demonstra que a identidade de um povo é energia suficiente para um resultado tão meticuloso como grandioso.

Até ao dia 16, todos poderemos contemplar esse feito.

Obrigado por o partilharem com Portugal.

Desejo que estas flores continuem a abrir caminhos de esperança; que estas ruas continuem a ser lugar de encontro entre gerações; e que Campo Maior continue a ensinar a Portugal a lição mais simples e mais difícil de todas: quando um povo se une, nada é impossível.

Parabéns, Campo Maior.
Obrigado pelo vosso exemplo.