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Intervenção nas Comemorações do centenário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Celoricenses

Senhor Presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Celorico de Basto, Casimiro Magalhães, agradeço o convite para estar presente na comemoração do centenário da Associação Humanitária dos B. V. Celoricenses. É com toda a honra e com todo o prazer que partilho convosco este momento tão significativo.

E é também o cumprimento de uma promessa. No ano passado, na qualidade de candidato à Presidência da República, visitei o vosso quartel e respondi afirmativamente ao convite para regressar. Estou aqui, a cumprir a palavra dada.

Como sabem, tenho o gosto de manter há mais de duas décadas uma relação de amizade com muitos amigos que aqui residem. Uma amizade genuína, que ilustra bem a forma de estar, a partilha e o bem receber das gentes de Celorico de Basto.

Por isso, a minha presença é também um agradecimento a todos os celoricenses pela forma amiga como sempre fui recebido e pela preservação de uma identidade genuína e solidária.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

“100 Anos ao Serviço de Todos. Sempre prontos. Sempre perto”.

O lema do vosso centenário exprime com rara precisão a natureza do bombeiro voluntário. O ser e o estar. A vocação e a ação. Aquilo que cada um de vós corporiza quando ergue a fénix, um símbolo que, nos bombeiros, tem um significado muito concreto: coragem, renascimento e esperança.

Não é por acaso que até os mais jovens apreendem rapidamente esse pulsar, essa relação de proximidade, de apoio e de confiança.

Mesmo sem o som das sirenes.

A vossa presença oferece-nos o conforto de saber que estão aqui. Ao nosso lado. Que podemos contar convosco num momento de dificuldade. Tal como tive oportunidade de comprovar há um ano, quando visitei o lugar de Lourido (Ponte Arame) devastado, pelos incêndios e zonas contíguas que não arderam, graças à vossa ação.

E o dia a dia confirma essa expectativa. Cito apenas alguns exemplos: o transporte de doentes, a emergência pré-hospitalar, os incêndios rurais e urbanos e os acidentes rodoviários.

Permitam-me que a propósito dos acidentes rodoviários, deixe um alerta: Não podemos aceitar que morrer na estrada continue a ser uma fatalidade. Cada morte é uma família destruída, um projeto de vida interrompido.

Apelo a uma cultura de responsabilidade nas estradas portuguesas.

Em 2025, morreram 589 pessoas nas estradas portuguesas, 2476 feridos graves. Em 2026, houve mais de 90.000 acidentes, cerca de 300 mortos e 1786 feridos graves.

São números dramáticos, que não podemos aceitar. Temos todos o dever de agir. Paremos esta tragédia.

Poderia referir também os pequenos gestos que tanto contam numa vida. A mão solidária que nos levanta ou o sorriso que suspende a inquietação de quem está assustado.

E saliento que esta afirmação solidária vai muito além do que vos é próximo. A vossa presença e a vossa ajuda no distrito de Leiria, após a passagem da tempestade Kristin, é testemunho da entreajuda e da rede de solidariedade que precisamos de assegurar em todo o país.

Obrigado por estarem lá quando mais precisamos de vós.

Num tempo de divisões e fragmentações, os bombeiros lembram-nos o essencial: Portugal é mais forte quando cuidamos uns dos outros. E enquanto houver alguém disposto a correr para o perigo para salvar quem precisa, haverá esperança.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

A inauguração do Monumento ao Bombeiro é, antes de mais, um sinal de respeito, de gratidão e de memória.

Guarda emoções, marcas que entraram no imaginário coletivo e, sem dúvida, muitas vidas que foram salvas.

Um valor que nenhuma estatística consegue medir.

É por isso mais do que justa a condecoração que decidi atribuir à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Celoricenses com o grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito, ao assinalar o seu centenário.

A todos os bombeiros, aos membros da direção e aos beneméritos, o meu obrigado. Aos presentes, aos familiares dos bombeiros e a todos os que fizeram parte desta história centenária, desde 15 de agosto de 1926, a gratidão do vosso Presidente da República.

Este monumento simboliza muitas gerações. Muito querer. Muito sacrifício. E um sentimento sem fim de solidariedade que nos há de ultrapassar e servir de legado aos nossos filhos e netos.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

É por isso que devemos também centrar o olhar no futuro.

É de elementar justiça a vossa ambição de fazer mais e melhor, porque a proteção e a segurança das pessoas ultrapassam largamente o valor material e o imediato.

Faço votos para que tenham sucesso na pretensão de um novo quartel.

Registo com agrado a aquisição, no ano passado, da nova ambulância de socorro. A bênção, hoje, de duas novas viaturas. E, sobretudo, o envolvimento da comunidade, em particular o gesto altruísta do casal que, faz agora um ano, vos ofereceu uma viatura para o transporte de doentes.

Um gesto que enche o coração. Mais ainda nos dias que correm.

A filantropia é algo que devíamos incentivar muito mais na nossa sociedade. Prolifera a ostentação da riqueza e é até valorizada como sinal de sucesso. Mas, raramente encontramos mensagens que valorizem os gestos solidários como rotina e não apenas em momentos excecionais.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Cem anos é muito tempo. É a medida de quantas gerações desta terra decidiram que valia a pena levantar-se a meio da noite por um vizinho. Ou por alguém que nunca tinham visto.

Este monumento não celebra apenas os que aqui estão. Celebra os que já partiram e cujo nome talvez poucos recordem, mas cujo gesto salvou uma casa, uma floresta, uma vida. E celebra também os que ainda hão de vir: os miúdos que hoje olham para uma viatura de bombeiros com admiração e que, daqui a vinte anos, estarão a conduzi-la.

Vulgarmente, chamam-vos soldados da paz.

Abdicais do conforto da vossa casa e do convívio com a família e os amigos. Correis risco de vida. Tudo com um sentir altruísta: a sublime determinação de ajudar o outro.

Parabéns pelos cem anos.

Muito obrigado.