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Intervenção na sessão de encerramento da VIII Cimeira do Turismo Português

A minha presença neste Congresso tem cinco razões fundamentais.

A primeira é agradecer-vos o trabalho que têm desenvolvido na promoção de Portugal. Do nosso litoral ao interior, das cidades às serras, dos campos às nossas paisagens, o turismo tem dado a conhecer a riqueza e a diversidade do nosso território.

A segunda é reconhecer o contributo do setor para afirmar Portugal como um país moderno, desenvolvido e capaz de responder às exigências do progresso. Mas também como um país com uma identidade própria, uma cultura singular e uma forma muito particular de receber e de nos relacionarmos com os outros povos.

A terceira é reconhecer o vosso contributo para a economia nacional. O turismo cria riqueza, gera emprego, contribui para o equilíbrio das contas externas, para as receitas públicas e para a sustentabilidade financeira da Segurança Social. E fá-lo em todo o território, envolvendo diferentes atividades, empresas e estratos da população.

A quarta é destacar o papel do turismo na valorização das infraestruturas públicas e privadas, contribuindo para aumentar a sua utilização, a sua produtividade e a capacidade de recuperar os investimentos realizados.

A quinta é reconhecer a vossa capacidade de adaptação. Perante crises internacionais, mudanças económicas e alterações profundas na procura, o setor soube reinventar-se, responder aos desafios e encontrar novos caminhos.

O turismo é uma história de sucesso da economia portuguesa nas últimas décadas. É justo reconhecê-lo. É justo valorizá-lo. E é justo agradecer a todos os que contribuíram para esse percurso.

Mas o sucesso alcançado não dispensa uma reflexão sobre o caminho a seguir. Pelo contrário: torna-a mais urgente.

Os novos tempos exigem novas respostas. E o futuro do turismo não pode ser pensado apenas a partir dos resultados do passado.

O crescimento da atividade turística trouxe benefícios evidentes para o país, para as empresas e para uma parte significativa da população. Mas trouxe também novas responsabilidades.

Quando a concentração turística ultrapassa a capacidade de resposta dos territórios, das infraestruturas e dos serviços, surgem problemas que não podem ser ignorados.

A pressão sobre a habitação, a mobilidade, o ambiente, os serviços públicos e a qualidade da própria experiência turística exige respostas concretas.

Não basta crescer. É preciso garantir que o crescimento beneficia o país e é compatível com a qualidade de vida dos portugueses.

É este o desafio que temos pela frente.

A minha Presidência é orientada por uma convicção clara: Portugal tem de saber pensar e agir para o médio e longo prazo, sem deixar de responder às urgências do presente.

A pressão do imediato não pode impedir-nos de preparar o futuro. E um setor com a importância estratégica do turismo não pode limitar-se a gerir o sucesso que alcançou.

A questão central que vos deixo é esta: que modelo de competitividade turística queremos para Portugal nos próximos 10 a 20 anos?

Não se trata de repetir o modelo que nos trouxe até aqui. Trata-se de identificar o que deve mudar, antecipar os desafios e preparar as condições para uma nova etapa de desenvolvimento.

Nas conversas que tenho mantido com o setor, reconheço sinais dessa transformação.

A qualidade da experiência turística, a inovação, a diferenciação face aos concorrentes e uma melhor distribuição territorial e temporal da procura são dimensões cada vez mais importantes da competitividade.

É esse caminho que importa aprofundar.

Portugal tem de ser capaz de atrair visitantes ao longo de todo o ano e de continuar a valorizar destinos que vão muito além dos grandes centros urbanos e dos locais tradicionalmente consolidados.

Tem de transformar o potencial do interior em oportunidades reais de investimento, emprego e desenvolvimento.

E tem de saber responder a um contexto internacional marcado por guerras, tensões geopolíticas, alterações no comércio mundial, flutuações dos preços da energia, inflação, taxas de juro e mudanças nas prioridades dos Estados e das famílias.

Tudo isto influencia as decisões de investimento, os custos das empresas, os padrões de consumo e os fluxos turísticos.

A capacidade de antecipar estas mudanças será determinante para a competitividade do setor.

Por isso, o meu apelo é claro: o turismo português precisa de uma nova ambição.

Uma ambição que não se limite a aproveitar as oportunidades que ainda existem, mas que prepare o país para os desafios que já se anunciam.

Uma ambição que aproxime as políticas públicas e a iniciativa privada, numa estratégia de médio e longo prazo.

Uma ambição assente na sustentabilidade económica, social e ambiental.

Nem sempre é fácil conciliar os interesses e as prioridades do presente. Mas aquilo que parece difícil no curto prazo pode ser precisamente o que garante melhores resultados no futuro.

Esta visão estratégica exige também decisões estruturais.

O novo aeroporto de Lisboa é uma questão decisiva para a capacidade futura do país. A evolução da TAP é igualmente relevante, tendo em conta o seu papel na ligação de Portugal aos mercados internacionais e na captação de turistas.

São matérias que exigem visão, planeamento e capacidade de execução. Não podem ser tratadas apenas em função das necessidades imediatas e de encaixes financeiros.

Minhas Senhoras e Meus Senhores

Há uma outra dimensão que não podemos esquecer: o desenvolvimento turístico tem de ser acompanhado pela responsabilidade de avaliar os seus impactos económicos, sociais e territoriais.

As decisões que tomamos hoje terão consequências na vida das comunidades, na organização das cidades, no acesso à habitação, na utilização dos recursos naturais e na relação entre residentes e visitantes.

O setor, os seus dirigentes e os responsáveis públicos têm de assumir essa responsabilidade. Não basta identificar os benefícios de cada decisão. É também necessário antecipar os seus efeitos negativos e encontrar formas de os prevenir ou corrigir.

A competitividade turística não se mede apenas pelo número de visitantes, pelas receitas ou pela capacidade instalada. Mede-se também pelo valor que deixa no território e pela forma como contribui para a vida das pessoas.

É por isso que a coesão territorial tem de fazer parte da estratégia do turismo português.

Disse e repito que o desenvolvimento turístico não pode ficar confinado aos grandes centros urbanos ou aos destinos já consolidados. Tem de contribuir para renovar a atividade económica no interior, criar oportunidades de emprego e fixar população.

Tem de valorizar os recursos de cada região, respeitar as comunidades e assegurar que o património natural e cultural é preservado.

Temos uma responsabilidade perante as gerações futuras. Os recursos de que hoje dispomos não são apenas nossos. Temos o dever de os transmitir às próximas gerações em condições que lhes permitam continuar a criar riqueza e a viver com qualidade.

A sustentabilidade ambiental e a sustentabilidade económica não podem ser tratadas como objetivos incompatíveis. Têm de ser pensadas em conjunto.

Há ainda uma dimensão que considero essencial: as pessoas.

O turismo é, acima de tudo, uma atividade de serviços. É uma atividade em que pessoas cuidam de pessoas. A qualidade da experiência turística depende, em larga medida, da qualidade do trabalho de quem recebe, acompanha e serve os visitantes.

Por isso, a valorização dos profissionais tem de estar no centro da estratégia do setor.

Portugal investiu na formação dos seus jovens. Investiu na qualificação de trabalhadores que estão em plena vida ativa. Esse investimento tem de ser reconhecido e valorizado.

O setor turístico tem uma responsabilidade concreta na formação, na progressão profissional e na melhoria das condições de trabalho.

A necessidade de integrar pessoas com menores qualificações, num país que deve ambicionar o pleno emprego, não pode ser uma razão para adiar a qualificação de quem trabalha.

Pelo contrário, temos de criar condições para elevar as qualificações, atrair talento e aproveitar as competências que o país foi capaz de desenvolver.

Isso exige investimento em tecnologia, formação, especialização e inovação. Exige também uma aposta clara na produtividade.

Mas quero sublinhar um ponto: o aumento da produtividade tem de se traduzir também na valorização dos salários.

A melhoria das remunerações deve ser uma ambição assumida pelo setor, a par da rentabilidade dos investimentos e da capacidade de atrair capital.

Não há competitividade duradoura sem empresas sustentáveis. Mas também não há competitividade duradoura sem profissionais valorizados, qualificados e justamente remunerados.

É esta articulação que permitirá ao turismo continuar a criar riqueza, a atrair investimento e a oferecer melhores perspetivas de vida a quem nele trabalha.

Caras e caros participantes,

Portugal não precisa de provar que o turismo pode crescer. Já o demonstrou.

O desafio que temos agora é diferente e mais exigente.

Precisamos de garantir que o turismo continua a crescer de forma competitiva, equilibrada e sustentável.

Um turismo capaz de gerar mais riqueza, criar emprego de qualidade, proporcionar melhores salários, atrair investimento e reinvestimento e contribuir para a coesão do território.

Um turismo que valorize os recursos do país, respeite as comunidades e preserve o património, que constitui uma parte essencial da nossa identidade.

Um turismo que seja motivo de orgulho para quem nos visita, mas também para quem cá vive e trabalha.

O sucesso futuro do turismo português não dependerá apenas da capacidade de atrair mais visitantes. Dependerá da capacidade de transformar esse potencial em prosperidade duradoura para Portugal.

É essa a responsabilidade do presente. E é essa a oportunidade que temos de preparar para o futuro.

Muito obrigado.