No Dia Internacional da Paz, que hoje se assinala, um olhar sobre a realidade que nos rodeia devolve-nos uma conclusão de perplexidade. É difícil entender os nossos contemporâneos e o mundo que está a ser construído.
Depois de todo o desenvolvimento e de toda a aprendizagem de um século, que foi o mais sangrento da história da humanidade, com duas guerras mundiais, regressam, de forma alarmante, o domínio da guerra e a lei do mais forte.
O ano passado, segundo o relatório do Instituto de Investigação para a Paz de Oslo, registaram-se 65 conflitos armados em 35 países, o número mais elevado desde a Segunda Guerra Mundial. Registaram-se ainda 245 mil mortos em combate, um dos valores mais altos nas últimas décadas. Assinale-se, igualmente, que os conflitos entre Estados duplicaram e atingiram o maior número em oitenta anos. Depois de décadas em que a guerra era sobretudo interna, regressam as guerras entre países.
Nada indica que este ano seja muito diferente e, no horizonte, equacionam-se já guerras no espaço ou ameaças à sobrevivência da própria espécie.
Por outro lado, a necessidade de paz e de resolução pacífica de conflitos entrou no nosso dia a dia, com outro tipo de desafios e de ameaças.
Por isso, faz todo o sentido o mote escolhido pelas Nações Unidas para a comemoração deste ano do Dia Internacional da Paz: investir na paz – para todos, em todo o lado, todos os dias.
O objetivo é a promoção de uma cultura de paz, por parte de cada um de nós, no trabalho, na escola, em casa e também na política.
Porque a paz é um modo de estar com os outros, que se aprende e se pratica no gesto pequeno, no respeito por quem pensa de outro modo, na recusa da violência como forma de resolver diferenças.
Se muitos optam pela guerra, a paz somos nós que a fazemos.