Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Começo por dar as boas-vindas a todos os presentes e por expressar a minha enorme satisfação em estar aqui hoje convosco a assinalar os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – a nossa CPLP.
O espaço lusófono constitui uma prioridade da política externa portuguesa, que une todos os órgãos de soberania, os vários níveis da administração pública e também a sociedade civil. Une os nossos povos, reforça a nossa língua comum, fortalece os países da CPLP.
Como sinal do meu empenho neste desígnio coletivo de aprofundar os laços da lusofonia, a CPLP foi a primeira organização internacional que visitei, após a minha tomada de posse, e foi igualmente um país da CPLP o destino da minha primeira Visita de Estado, no passado mês de julho.
É, pois, uma grande honra abrir este evento comemorativo dos 30 anos da CPLP, diante de tantas pessoas que fazem parte da história da construção desta organização e de outras que continuam a dar o seu contributo e a pôr todo o seu empenho naquilo que a Comunidade é hoje. É com particular apreço que vejo aqui também a presença de jovens diplomatas da CPLP, que partilham a responsabilidade de preservar e aprofundar este nosso legado lusófono no futuro.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Olhando para estes 30 anos devemos reconhecer um balanço positivo do qual destaco seis dimensões concretas:
1. A génese da CPLP é, desde logo, meritória: países dispersos geograficamente por diferentes continentes decidiram unir-se em torno da partilha de uma língua e da defesa de valores comuns - “os valores perenes da Paz, da Democracia, do Estado de Direito, dos Direitos Humanos, do Desenvolvimento e da Justiça Social” – que mantêm toda a atualidade e que, são hoje mais necessários do que nunca.
2. O crescimento e projeção global da organização desde 1996 é evidente. A CPLP aumentou o seu número de Estados-Membros e despertou, paralelamente, um crescente interesse por parte de países terceiros e organizações internacionais em colaborar com a organização. Hoje, são mais de 30 os Observadores Associados, provenientes dos quatro cantos do mundo, que contribuem para a valorização e a afirmação da lusofonia.
3. Também ao nível da sociedade civil se verificou um dinamismo assinalável, contando-se hoje mais de 100 Observadores Consultivos, que desenvolvem um importante trabalho de aproximação das populações à Comunidade.
4. Esta projeção global aplica-se, igualmente, à língua portuguesa, para cuja afirmação a CPLP muito tem contribuído. Cada vez são mais os falantes e os interessados em aprender português: língua mais falada no Hemisfério Sul; língua em crescimento, com prognósticos de cerca de 400 milhões de falantes até 2050; língua oficial ou de trabalho em mais de 30 organizações internacionais; uma das línguas mais utilizadas na Internet e tem também conquistado espaço no domínio das ciências.
5. No pilar da Cooperação, as áreas de intervenção e colaboração da CPLP conheceram uma ampla expansão, abrangendo hoje praticamente todos os setores, desde a educação, a saúde, a economia, o ambiente, o desporto, o turismo, a mobilidade ou a digitalização, e incluindo também a cooperação a nível parlamentar e judiciário e dos bancos centrais que vai realizar, proximamente, em Luanda, a sua primeira reunião presencial.
6. A concertação político-diplomática tem permitido ampliar a voz da lusofonia na cena internacional, nomeadamente nas organizações internacionais em que temos assento.
Minhas Senhores e Meus Senhores,
Esta última dimensão reforça a ideia de que juntos somos mais fortes.
Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné-Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste: juntos, somos cerca de 300 milhões de pessoas e mais de 10 milhões de quilómetros quadrados. Juntos, temos mais peso na política e na economia global.
Juntos, dispomos de uma presença e de uma rede de influência que se expande por quatro continentes, através das distintas organizações regionais que cada um dos nossos países integra. Este é um valioso ativo, que nos permite realçar os temas e desafios de interesse comum e promover a nossa língua e os nossos valores na arena internacional.
O apoio mútuo a candidaturas dos países lusófonos a organizações internacionais constitui um exemplo muito concreto dessas mais-valias.
Na sua recente eleição como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (biénio 2027-28), Portugal contou, não só com o endosso da CPLP, mas também com o apoio ativo dos parceiros lusófonos na campanha junto de países terceiros, nas respetivas esferas regionais, que foi fundamental para o sucesso da candidatura e pelo qual estamos profundamente gratos.
E é juntos que devemos enfrentar os desafios que o futuro nos lança.
No reforço da promoção da língua portuguesa em que todos nos devemos empenhar, internamente e no palco internacional, tendo presente a ambição de a elevarmos a língua oficial das Nações Unidas.
No reforço dos valores e dos princípios em que assenta a nossa CPLP e na discussão franca entre nós dos desafios com que nos deparamos e das oportunidades que juntos sabemos identificar e promover.
No reforço da cooperação em áreas estratégicas para a Comunidade, como por exemplo os oceanos, em que gostaria muito de ver uma ação forte e conjunta da nossa CPLP, sendo o mar um ativo estratégico que nos valoriza e nos posiciona em conjunto no mundo; ou na aproximação cada vez mais estreita aos nossos jovens, que terão a responsabilidade de manter viva a nossa CPLP e a coesão das nossas sociedades.
No papel da CPLP como força de diálogo, paz e estabilidade, num mundo cada vez mais instável e nos diversos palcos que se nos oferecem na cena internacional.
A partir de 1 de janeiro, Portugal será assim também uma voz da CPLP e dos seus valores em Nova Iorque, onde continuará a pugnar pelo multilateralismo, por uma ordem internacional baseada em regras, pelo respeito dos direitos humanos e da dignidade humana, pela paz.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Gostaria, por fim, de destacar que a CPLP é, acima de tudo, uma comunidade de pessoas e que essa dimensão humana vai muito além das instituições.
A força da CPLP advém, em grande medida, dos laços que todos os dias se desenvolvem entre os seus cidadãos, seja através da música, da cultura, da literatura, do turismo, do desporto, dos estudos, dos negócios ou tão simplesmente das ligações familiares e de amizade.
As diásporas dos países CPLP têm um papel fundamental na consolidação desses laços.
Há um intercâmbio constante e enriquecedor, que reforça a amizade e o afeto entre os povos lusófonos. Creio que é essa conexão e espírito fraternalque faz com que qualquer cidadão lusófono se possa emocionar, tanto com a beleza das letras de Chico Buarque ou da escrita de Mia Couto, como com o sucesso dos “Tubarões Azuis” de Cabo Verde na sua estreia num Mundial de Futebol.
De notar, adicionalmente, o espírito de solidariedade que caracteriza a CPLP. Sabemos que podemos contar uns com os outros nos momentos difíceis, como bem ilustram os gestos recíprocos de apoio em situações de catástrofes e desastres naturais.
O lema escolhido para a comemoração dos 30 anos da CPLP - “Unidade na Diversidade, Uma Comunidade para os Povos” – presta a devida homenagem a esta riqueza e diversidade do mundo lusófono, enquanto aponta uma direção de futuro, focada precisamente nos nossos cidadãos.
Acredito que essa é a direção certa. Uma Comunidade mais tangível para os seus cidadãos e, em particular, mais próxima dos seus jovens, nesta tão oportuna Década da Juventude da CPLP (2026-36).
Mas também uma Comunidade cada vez mais capaz de afirmar o seu potencial, a sua língua e os seus valores fundacionais a nível internacional, numa conjuntura em que o mundo tanto precisa de diálogo, entendimento, cooperação, solidariedade e paz.
Espero que o colóquio de hoje sirva para alimentar a reflexão sobre os 30 anos que passaram e, sobretudo, sobre o futuro que queremos para a CPLP, contribuindo para o debate em torno da nova Visão Estratégica da CPLP para os próximos anos.
Em 1996 os Chefes de Estado da CPLP constituíram a nossa Comunidade, e cito, “animados de firme confiança no futuro”. Quero hoje aqui, em nome de Portugal, reiterar essa firme confiança no futuro, que nos cabe a todos nós em conjunto continuar a construir.
Termino assim com os meus votos sinceros de longa vida à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Viva a CPLP!