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Presidente da República assinala Dia Mundial da Saúde Mental

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, recordo que a saúde mental é um direito humano universal. Não é um luxo, nem um assunto apenas privado. É parte da saúde de cada um e da saúde do país.

O lema definido este ano pela Federação Mundial para a Saúde Mental, «Dar voz às experiências vividas: vozes reais, mudanças reais», pede-nos que quem vive o sofrimento psicológico na primeira pessoa possa ser ouvido. E que dessa escuta resulte a mudança.

Cabe-me, assim, uma primeira palavra de saudação e reconhecimento pelo trabalho de profissionais e voluntários da área da saúde mental, que ouvem, fazem a diferença, mudam vidas. São eles que, dia após dia, prestam cuidados, emprestam o seu ombro amigo, oferecem o seu tempo, capacitam, apoiam as famílias e, com a sua ação, combatem o isolamento social e o estigma.

Em Portugal, mais de um quinto da população sofre de algum tipo de perturbação psiquiátrica, o que nos coloca entre os países com a mais elevada prevalência de doenças psiquiátricas da Europa, situação que urge reverter e que requer um esforço coletivo.

A saúde mental constrói-se ao longo da vida: na primeira infância, quando se formam os alicerces do desenvolvimento; na adolescência e na juventude, tempo de construção da identidade; na vida adulta, perante exigências que nos põem à prova; e, mais tarde, junto daqueles que merecem ser acompanhados com dignidade e especial afeto.

Constrói-se também no dia a dia: dormir o suficiente, mexer o corpo, comer bem, ter tempo para os outros e para nós próprios. São hábitos simples, mas tantas vezes difíceis de adotar.

Por isso, é preciso agir igualmente sobre causas mais profundas, como a pobreza, a desigualdade, a violência e a solidão. Juntam-se desafios do nosso tempo, como as alterações climáticas, a dimensão tecnológica do quotidiano e novas dependências.

A resposta tem de estar perto das pessoas: nos estabelecimentos de saúde, nas escolas, nos locais de trabalho e na comunidade. Tem de colocar a saúde mental ao alcance de todos e apostar, essencialmente, na prevenção.

Esta é uma obrigação de todos. De cada um de nós no âmbito familiar ou laboral; dos especialistas da área da saúde mental; e do Estado, que deve dar a devida atenção a um domínio frequentemente menosprezado. A saúde mental não pode continuar a ser relegada para segundo plano porque, como constatamos cada vez com maior nitidez no nosso dia a dia, são dramáticas, a todos os níveis, as consequências das falhas de uma política de saúde mental. Um drama para muitas famílias. E um drama para Portugal.