É com particular emoção que me associo, hoje, ao 52.º aniversário da plural+udifar e à homenagem ao Dr. Miguel Silvestre.
Esta ocasião reúne duas dimensões que considero inseparáveis: o reconhecimento de uma instituição que desempenha um papel fundamental na saúde dos portugueses e a memória de um homem que dedicou grande parte da sua vida à profissão farmacêutica, ao desenvolvimento do setor e às pessoas que tiveram o privilégio de com ele se cruzar.
Eu sou um desses privilegiados, o que faz com que este momento seja também pessoal. O Miguel era meu amigo. E, quando recordamos alguém que nos é próximo, as palavras nunca conseguem traduzir inteiramente aquilo que sentimos.
O percurso do Dr. Miguel Silvestre é um exemplo de dedicação à profissão. Ao longo da sua vida profissional, soube conhecer diferentes realidades, construir pontes e aproximar pessoas e instituições, sem nunca perder de vista aquilo que verdadeiramente importa: servir as pessoas.
A sua ação na plural+udifar traduz precisamente essa visão. Compreendeu que o modelo cooperativo, a capacidade de organização e o investimento são condições essenciais para fortalecer a distribuição farmacêutica e preservar a independência das farmácias. Percebeu que, num setor em transformação, a proximidade às comunidades exige escala, eficiência, inovação e capacidade de resposta.
Permitam-me, por isso, em primeiro lugar, reconhecer o papel da distribuição farmacêutica no nosso sistema de saúde.
É o trabalho diário destas empresas e dos seus profissionais que permite assegurar que os medicamentos chegam às farmácias e, através delas, às pessoas que deles necessitam, com segurança e regularidade.
Garantir esta continuidade da cadeia de abastecimento exige uma capacidade logística permanente e um investimento significativo. Num contexto de instabilidade internacional e de crescente pressão sobre os custos operacionais, nomeadamente com os combustíveis, importa assegurar a sustentabilidade económica da distribuição farmacêutica. Só assim será possível preservar a qualidade do serviço prestado e continuar a responder às necessidades das farmácias e das populações em todo o território nacional.
Este desafio reforça também a importância de enaltecer as empresas portuguesas, a sua capacidade de adaptação e inovação, o investimento que realizam e o emprego qualificado que criam. Valorizar estas empresas é, igualmente, criar condições para que as novas gerações encontrem em Portugal oportunidades para desenvolver o seu talento e construir o seu futuro.
Há, por isso, uma dimensão do percurso do Dr. Miguel Silvestre que gostaria particularmente de destacar: a sua preocupação com os mais jovens.
O Miguel acreditava no talento, valorizava o conhecimento e reconhecia a importância de criar oportunidades para quem está a começar. Sabia que o futuro de uma instituição não se constrói apenas com a experiência acumulada, mas também com a capacidade de dar espaço a novas ideias e de confiar nas gerações que se seguem.
É neste contexto que a criação da Bolsa de Mérito Miguel Silvestre, em parceria com a Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, assume um significado tão especial.
Ao distinguir trabalhos de mestrado relevantes para a distribuição farmacêutica, esta bolsa promove a ligação entre a academia e as empresas, incentiva a investigação e contribui para preparar os profissionais que darão continuidade ao desenvolvimento do setor.
Esta Bolsa representa, por isso, algo mais profundo: a possibilidade de transformar a memória do Dr. Miguel Silvestre numa oportunidade para outros. De continuar a abrir portas, a reconhecer o mérito e a valorizar o talento dos mais jovens. E, assim, prosseguindo o objetivo que sempre o norteou em vida.
E é precisamente esta dimensão humana que me leva a recordar outro legado do Dr. Miguel Silvestre, particularmente significativo para a plural+udifar. Não me refiro apenas à atribuição do nome da artéria onde se encontra esta organização como Rua Dr. Miguel Silvestre. Felicito a Presidente Ana Abrunhosa por essa feliz iniciativa. Essa já é, por si, uma justa homenagem e um sinal duradouro de reconhecimento.
Refiro-me à atribuição da designação de pluris a toda a comunidade de trabalhadores da cooperativa e que traduz, de forma particularmente feliz, aquilo que o Dr. Miguel Silvestre procurou fazer ao longo do seu percurso.
Pluris é a designação em latim para «de maior valor». O Miguel procurava acrescentar valor a tudo aquilo em que se envolvia: às organizações que ajudava, ao setor a que dedicou a sua vida e aos projetos em que acreditava. Mas, acima de tudo, procurava dar mais valor às pessoas.
Por isso, Pluris é o nome da vossa comunidade. Mas é também o legado que o Dr. Miguel Silvestre deixa em cada um de nós. Um legado que se renova no trabalho de cada dia, nas relações que se constroem e na vontade de continuar a fazer mais e melhor, em conjunto.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Há homenagens que reconhecem uma obra. Outras preservam uma memória. Esta consegue fazer as duas coisas: reconhece o profissional que contribuiu para o desenvolvimento de um setor essencial à saúde dos portugueses e mantém viva a memória de um homem que marcou tantas e tantas pessoas.
À família do Miguel, Cláudia, Margarida e Miguel, ao seu pai, Dr. Antonino, e à sua irmã, Margarida, quero deixar uma palavra muito sentida de solidariedade e de carinho. Sei que nenhuma homenagem substitui a presença de quem nos é querido. Mas espero que encontrem neste reconhecimento a certeza de que o seu percurso não foi esquecido e de que a sua memória permanecerá viva nas instituições que ajudou a construir e nas pessoas que marcou.
À plural+udifar e também à Bluepharma, aos seus dirigentes, aos seus colaboradores, aos seus associados e a todos os profissionais do setor farmacêutico, deixo uma palavra de reconhecimento pelo trabalho que continuam a desenvolver. Que saibam preservar este legado, mantendo viva a determinação de construir um setor mais forte, inovador e próximo das comunidades.
Termino regressando ao Miguel Silvestre. Os percursos profissionais contam-nos muito sobre uma pessoa, mas nunca nos contam tudo. Para além do trabalho realizado e dos objetivos alcançados, ficam as relações que construímos, as conversas que partilhámos, os gestos que guardamos e a forma como fizemos os outros sentir.
É também por isso que sentimos a falta de quem parte. Porque há pessoas cuja presença não termina com a sua ausência. Continuam connosco naquilo que nos ensinaram, nos valores que nos transmitiram e naquilo que, a partir delas, somos capazes de fazer pelos outros.
Hoje, homenageamos o Dr. Miguel Silvestre. Reconhecemos o seu contributo para a distribuição farmacêutica em Portugal, a sua capacidade de congregar vontades e a sua dedicação à profissão, à ciência e às novas gerações.
Mas, para mim, hoje é também o momento de recordar um amigo. E de lhe agradecer pelo caminho que fez, pelo que construiu e pela amizade que também me deixou.
Muito obrigado, Miguel Silvestre.