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Presidência da República Portuguesa

Presidência da República Portuguesa

Mensagem do Presidente da República ao País sobre a oitava renovação do segundo estado de emergência

Portugueses,

Reduzimos, nesta quinzena, significativamente, o número de infetados e o número de mortos. E o indicador de propagação do vírus atingiu os valores mais baixos num ano.

Tudo, comprovando a Vossa lucidez, determinação e coragem.

Nesta situação, é muito tentador defender que há que abrir e desconfinar o mais rápido possível. E as escolas seriam o setor mais proposto para o início dessa abertura.

As razões invocadas, todos as conhecemos.

A evolução positiva já não teria recuo e, se tivesse, não seria para os valores de há um mês.

A economia e a sociedade sofrem uma crise profunda.

Cultura, movimento associativo, desporto jovem, restauração, hotelaria e muito comércio sofrem ainda mais.

A saúde mental está crescentemente abalada.

As escolas e as crianças e os jovens, em particular, – veem segundo ano letivo atropelado.

Só importaria garantir a existência de vacinação mais rápida e ampla. Que cobrisse o que se fosse abrindo. Começando pelas escolas, vacinando, mais cedo, nas escolas.

Só importaria, ainda, assegurar testagem e rastreio mais amplos e virados para o mais urgente. No caso das escolas, com testes simples, rápidos, mas fiáveis.

Com a dupla segurança de vacinas e testes, seria possível desconfinar, por fases, sem os riscos corridos no passado.

Estas as razões de quem quer ou de quem espera o anúncio de passos imediatos para acabar com o regime do último mês.

Tudo o que fica dito tem lógica, corresponde ao que pensam muitos Portugueses e é sedutor.

É mesmo o mais sedutor, perante o cansaço destas exigentes semanas.

Há, porém, um outro prato na balança.

O número de internados ainda é quase o dobro do indicado por intensivistas, que estão no terreno a tratar do mais grave. O número de cuidados intensivos é mais do dobro do aconselhado, para evitar riscos de novo sufoco.

Nunca se pode dizer que não há recaída ou recuo e os números que nos colocaram no lugar de piores da Europa e de piores do mundo não são de há um ano ou de há meses, são de há um mês, tal como de há três semanas são as filas de ambulâncias à porta dos hospitais.

Pior do que o que vivem agora a economia, a sociedade, a saúde mental e as escolas, só mesmo se tivermos de regressar ao que acabámos de viver, daqui a semanas ou meses.

Sabemos que por atraso na entrega de vacinas, não haverá, provavelmente, no próximo mês, mês e meio, vacinação, que garanta tudo o que se quer garantir, desde logo nas escolas.

Sabemos que testar e rastrear, em escassíssimas semanas, nos termos que permitam a segurança necessária, poderá ser complicado, mesmo só para as escolas.

Estas razões opostas, que fazem pensar duas vezes em criar-se expetativas de aberturas apressadas, por muito sedutoras que sejam.

Qual é então o desafio que se coloca a quem tem de decidir?

A resposta é simples.

Decidir deve basear-se na consciência de quem decide, e não na preocupação de seguir a opinião de cada instante. Ora quer fechar por medo, ora quer abrir por cansaço.

Decidir em consciência é fundar-se em critérios objetivos e claros, como são os de indicadores da gravidade da pandemia, da pressão nas estruturas de Saúde, da vacinação, da testagem, do rastreio e deve ter presentes os sinais certos a dar aos Portugueses.

Decidir supõe, nesta pandemia, a solidariedade institucional e a solidariedade estratégica entre o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo. Com um único fim – enfrentarem, juntos, a causa comum. Assim tem sido. Assim continuará a ser.

Sendo certo que o Presidente da República é, pela própria natureza das coisas, o principal responsável.

Portugueses,

Disse e repito hoje.

Temos de ganhar até à Páscoa o verão e o outono deste ano.

Por outras palavras, a Páscoa é um tempo arriscado para mensagens confusas ou contraditórias.

Como por exemplo a de abrir sem critério antes da Páscoa, para nela fechar logo a seguir, para voltar a abrir depois dela. Quem é que levaria a sério o rigor pascal?

É, pois, uma questão de prudência e de segurança manter a Páscoa como o marco essencial para a estratégia em curso.

Pode isto significar mais mobilidade, por saturação? Pode. Mas um sinal errado de facilidade mal-entendida, também pode. Ou pode mais.

Implica isto mais umas semanas de sacrifícios pesados e, por isso, que o Estado vá mais longe em medidas de emergência e de apoio ao futuro arranque? Implica. Mas a alternativa poderia ser ter de tomar mais tarde as mesmas medidas multiplicadas por dois ou por três.

Em resumo, que se estude e prepare com tempo e bem o dia seguinte.

Mas, que se escolha melhor ainda esse dia, sem precipitações, para não se repetir o que já se conheceu.

E nunca se confunda estudar e planear com desconfinar.

Sendo mais claro: planear o futuro é essencial, mas desconfinar a correr por causa dos números destes dias será tão tentador quanto leviano. Até porque nós sabemos os números sobem sempre mais depressa do que descem.

Citando um quase clássico: “Um povo que não conhece a sua História, está condenado a repeti-la”.

Nós conhecemos bem a História deste ano de pandemia.

Não cometeremos os mesmos erros.

E temos a esperança – a esperança não, a certeza – de que, se formos sensatos, o pior já passou.

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