João Canijo tinha tido recentemente o seu momento de consagração com o díptico “Mal Viver” e “Viver Mal”, uma poderosa tragédia (e comédia) a partir de Strindberg que multiplicava as vozes e os pontos de vista num único cenário.
Há décadas que o cineasta vinha filmando o lado B de Portugal, a miséria, a emigração, a violência e o “mau-gosto”, num registo entre o melodrama, o documentário e o teatral, projeto que passava por um longo trabalho coletivo com os atores.
A sua morte precoce priva-nos de uma voz forte e singular no momento da sua maior afirmação, incluindo a projecção internacional.
À família de João Canijo, e à família alargada, os seus atores, apresento sentidas condolências, prestando homenagem ao meticuloso e destemido cronista de um país que nem sempre queremos ver.