Foi com tristeza que o Presidente da República tomou conhecimento da morte de João Abel Manta (1928-2026).
Com o seu desaparecimento, Portugal despede-se de um dos seus grandes artistas, um retratista que marcou a vida portuguesa nos anos imediatamente anteriores e posteriores à revolução do 25 de Abril de 1974, uma das referências mais importantes do cartoon político desde os anos 40 até à atualidade.
Apesar da sua formação em arquitetura (domínio em que apresentou alguns projetos sobejamente conhecidos), da sua atividade nos domínios da tapeçaria, do azulejo e até da cenografia teatral, João Abel Manta dedicou-se mais intensamente, e desde bem cedo, à área do desenho e das artes gráficas, onde podia participar mais ativamente na luta contra o regime político da época.
Colaborando na imprensa como cartunista e também em parceria com escritores (como José Cardoso Pires), João Abel Manta retratou os anos finais do salazarismo e da “primavera marcelista” e, com renovada alegria e um sentido de humor muito original, acompanhou os primeiros anos da revolução de Abril e foi o caricaturista mais influente e mais conhecido dessa época.
Não é possível falarmos da nossa memória visual do último quartel do século XX sem mencionarmos que está definitivamente marcada pelo seu talento, pela sua intervenção gráfica e pela sua ironia e leitura da História. Os seus retratos e caricaturas ou a sua capacidade de captar pormenores e de os transformar em grandes emblemas de um momento histórico, fazem de João Abel Manta um dos artistas mais populares do nosso país até hoje.
Agraciado com a Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e com a Ordem da Liberdade, João Abel Manta retratou-nos a todos, incluiu-nos a todos nas suas preciosas caricaturas. Na verdade, ele foi um historiador em movimento e nada lhe escapou do que estava a mudar ou prestes a mudar-nos.