O desaparecimento do fotógrafo Jorge de Barros (1944-2026) é uma das notícias tristes destes dias. Com uma obra extensa e sempre ligada à geografia, à antropologia e às artes, ele foi um peregrino apaixonado do mapa de Portugal – sempre acompanhado pela literatura, que lhe servia de bússola e de guia de visita. A sua obra é variada, extensa, plural – e constitui um estudo permanente de Portugal e dos portugueses.
As fotografias de Jorge de Barros exploraram e desvendaram a nossa paisagem natural e humana, bem como as tradições, costumes e memórias de um país que fixou em livros como “Um Olhar Português” (com escritores como Eugénio de Andrade, Fernando Assis Pacheco, José Cardoso Pires, Al Berto, Hélia Correia ou Lídia Jorge), “Sob a Terra” e “Mineiros” (com Fernando Dacosta), “Mensagem” (acompanhando os versos de Fernando Pessoa), o conjunto “Festas e Tradições Portuguesas”, ou a edição ilustrada de “Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico”, o grande ensaio de Orlando Ribeiro (1911-1997) que tão bem explica a natureza do nosso território. Em breve será publicado “Espantalhos e Campos”, seu derradeiro livro, que já não pôde ver impresso.
A paixão pelos Açores marcou parte essencial do seu trabalho, tendo dedicado ao arquipélago várias exposições e livros tão belos como “Corvo, a Ilha da Sabedoria”, “Ilhas Desconhecidas” (que acompanha o texto de Raul Brandão), “Escrito no Mar” (com poesia de Manuel Alegre) ou o recente e monumental “Romeiros da Fraternidade”, no qual, com o seu filho Pedro, acompanha a grande melancolia dos caminhos percorridos pelos romeiros da ilha de São Miguel durante a Quaresma, que fotografou durante 30 anos.
O Presidente da República envia as suas condolências à família e aos amigos de Jorge de Barros.