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Intervenção no encontro com a Comunidade Portuguesa no Luxemburgo

Começo por dirigir uma palavra de gratidão e de apreço a Sua Alteza Real o Grão-Duque pela sua presença esta tarde entre nós.

É um gesto que ultrapassa a natureza protocolar porque é um reconhecimento do lugar que a comunidade portuguesa ocupa neste país. Um reconhecimento da confiança, do trabalho e do contributo que os portugueses e lusodescendentes deram e continuam a dar ao Luxemburgo. Em nome de todos nós, muito obrigado.

Também eu me tenho sentido em casa nesta visita.

E isso diz muito sobre a qualidade da relação entre os nossos dois países, pautada por uma amizade construída ao longo de décadas.

Este relacionamento reflete-se na parceria bilateral, no alinhamento consistente que mantemos na grande maioria dos dossiers europeus, e na presença, aqui no Luxemburgo, de instituições europeias centrais como o Tribunal de Justiça da União Europeia.

Este ano, quando Portugal assinala quarenta anos de integração europeia e cinquenta anos de adesão ao Conselho da Europa, esta convergência entre os nossos países tem um significado especial.

Recordo também, com particular apreço, que a primeira visita ao estrangeiro de Sua Alteza Real, ainda antes de assumir o trono, mas já como lugar-tenente e representante do seu Pai, foi a Portugal, em 2024. Não é um gesto que se esquece. É a linguagem de amizade verdadeira entre as nossas duas nações.

Senhoras e Senhores,

Estar aqui, no Luxemburgo, a celebrar o 10 de Junho, é uma escolha com significado.

Celebrar o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas fora do território nacional, junto das nossas comunidades espalhadas pelo mundo, é uma prática iniciada pelo meu antecessor e que eu assumo com total convicção. Porque a nossa diáspora também é Portugal.

Com tudo o que isso implica em termos de direitos, de reconhecimento e de responsabilidade da República para cada um de vós.

Sou e serei sempre o Presidente de todos os portugueses.

Não importa o local onde residem. Todos merecem idêntico encorajamento, apoio e igual reconhecimento. A distância não diminui a pertença. Como tanto gosto de dizer: onde está um português, está Portugal.

Portugal reconhece o esforço silencioso de quem construiu vida longe da sua terra. A distância nunca diminuiu o amor a Portugal. Entre saudade e futuro construíram uma comunidade exemplar.

Hoje não é apenas uma visita, é um abraço de Portugal aos seus. A todos os seus. Um abraço dado em conjunto, Presidente da República, Primeiro-ministro e Deputados da Assembleia da República expressando o compromisso com os nossos valores fundamentais enquanto nação, o orgulho de ser português e o respeito pelos portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal.

O Luxemburgo foi este ano o destino escolhido e há uma razão muito concreta: vive aqui uma das comunidades mais expressivas e mais dinâmicas da nossa diáspora.

Cerca de 112 mil portugueses e lusodescendentes.

É a maior comunidade estrangeira neste país, representando cerca de 14% da população total.

Um número que impressiona e que transporta um significado repleto de histórias: de coragem, de sacrifício, de trabalho e de construção de uma vida num país adotivo.

Portugueses e Lusodescendentes,

Não tem sido um caminho fácil e, para muitos, no passado recente, confrontam-se com dificuldades acrescidas.

Emigrar exige a coragem de deixar a família, as amizades e o conforto das rotinas, da língua, da gastronomia e do cheiro da terra que se conhece.

E também a coragem por se antecipar que se deixa tudo isso para, com frequência, se começar do zero e numa terra nova.

Portugal e o Presidente da República estão orgulhosos de cada um de vós.

Mas quero ir além do elogio, porque esta comunidade merece mais do que palavras de circunstância.

Merece que se reconheça o que, de facto, construíram aqui.

São praticamente seis décadas de aprendizagem, partilha e um enorme esforço comum no desenvolvimento do Luxemburgo.

Hoje, a comunidade portuguesa está presente em todos os aspetos da vida luxemburguesa. No trabalho, na cultura, na economia ou no desporto.

Até nos gestos de solidariedade, como é prova a iniciativa da Confraria Gastronómica dos Sabores Portugueses, que se realiza na próxima quarta-feira, dia 10. Um gesto relevante, em dias difíceis e de partilha com pessoas de várias proveniências.

O empreendedorismo português é uma marca reconhecida no Luxemburgo. Tive a oportunidade de o confirmar pessoalmente, na passada sexta-feira, ao conhecer alguns dos empresários mais dinâmicos da nossa comunidade. Saúdo em especial Orlando Pinto, que terei o gosto de condecorar ainda esta tarde.

É um reconhecimento merecido para alguém que representa tantos outros.

Como tantos dos nossos compatriotas, o Senhor Orlando Pinto procurou o Luxemburgo para aqui poder realizar o seu projeto de vida. E conseguiu-o. E, ao consegui-lo, contribuiu também para o desenvolvimento do país que o acolheu. E, para além disso, foi responsável pela criação de muitas centenas de postos de trabalho no grão-ducado – e não só – que beneficiam quer portugueses, quer luxemburgueses, quer cidadãos de outras nacionalidades. A sua porta e a porta da sua empresa – a Sopinor – sempre estiveram e continuam abertas a quem delas precisa. E foi por reconhecer a singularidade de um percurso profissional do maior êxito, e o extraordinário espírito de um homem fora do comum, que entendi agraciar o Senhor Orlando Pinto com a comenda da Ordem do Mérito Empresarial.

Há um outro sinal de integração que me enche de particular satisfação. Remete para a participação cívica e política dos portugueses e lusodescendentes na vida democrática do Luxemburgo.

São ilustres exemplos, Félix Braz, que foi Vice-Primeiro-Ministro e Ministro da Justiça, e a sua filha Liz Braz, hoje deputada e que tive o prazer de conhecer ontem na Câmara dos Deputados.

Ricardo Fernandes Marques, também deputado.

Isabel Wiseler-Lima, eurodeputada eleita pelo Luxemburgo.

E os Burgomestres de origem portuguesa aqui presentes esta tarde, cuja eleição saúdo com genuíno orgulho.

Enquanto cidadãos europeus, os portugueses têm o direito de eleger e de ser eleitos nas eleições municipais dos países onde residem.

Apelo a que essa participação aumente. É um ato de civismo. É também uma forma de afirmar que se pertence, verdadeiramente, ao país onde se vive e se constrói uma vida.

Senhoras e Senhores,

Esta manhã estive em Sanem, com crianças que aprendem português. Que aprendem a nossa cultura. E devo confessar que saí de lá diferente do que entrei.

Ouvir crianças, muitas delas já nascidas aqui no Luxemburgo, a falar sobre o que Portugal significa para elas, sobre o que as liga a um país que conhecem pelas histórias dos pais ou avós, pelas receitas da cozinha, pela língua que aprendem na escola ao fim da tarde, é, para mim, um dos momentos mais tocantes desta visita.

A língua é o elo mais profundo que uma comunidade pode manter com as suas origens.

Num dia em que assinalamos o Dia de Camões este é um compromisso que importa renovar perante vós.

Portugal tem a responsabilidade de garantir às comunidades na diáspora uma rede que permita aos seus filhos continuar a aprender português.

E as famílias têm a responsabilidade de estimular essa aprendizagem em suas casas.

Sei que há outros elos igualmente fortes. A música, a gastronomia, a saudade, essa palavra intraduzível que carregamos como um mapa afetivo do mundo.

E nos próximos dias, o futebol, com o Mundial que nos fará vibrar a todos, de Lisboa ao Luxemburgo.

Mas Portugal é muito mais do que isso.

É um país moderno, aberto ao mundo, comprometido com a inovação e com a troca de conhecimento.

Um país que se transformou profundamente nas últimas décadas e com um forte contributo da diáspora.

Os bons indicadores económicos de Portugal devem-se também a vós.

Portugal é também um país comprometido com o multilateralismo, com o respeito pelo direito internacional e pelos direitos humanos e com uma ordem internacional baseada em regras.

O país do atual Secretário-Geral das Nações Unidas.

O país recentemente eleito para o Conselho de Segurança, eleição para a qual contámos com o inestimável apoio do Luxemburgo, pelo qual expresso o mais sincero agradecimento.

É um país que quer receber de volta os seus.

Os que emigraram e os que nasceram fora, mas que sentem Portugal como uma parte de si.

Como disse em abril, em Madrid, a jovens portugueses: Portugal é um extraordinário país para se viver. E deve ser também um país extraordinário para se trabalhar. É um compromisso que assumo.

Portugueses e Lusodescendentes,

O 10 de Junho é o Dia de Portugal. É o nosso dia.

É o dia em que a República vos diz, sem ambiguidade e sem reservas: estamos convosco.

Sabemos o que construíram.

Reconhecemos o que representam.

Precisamos de vós.

Não apenas como embaixadores de Portugal no mundo, mas como parte integrante do inconfundível ser português.

Obrigado por continuarem manter este vínculo a Portugal, a ser portugueses, à vossa maneira, com a nossa história. Um povo que nunca deixou de ser família.

Feliz Dia de Portugal.

Muito obrigado.

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