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Intervenção na receção à Comunidade Portuguesa na Flórida

Caros compatriotas residentes na Florida,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Estou feliz por estar aqui convosco, mas estou a acompanhar em permanência, em articulação com o Governo, com muita preocupação a situação na Venezuela, em especial a situação da grande comunidade de portugueses e luso venezuelanos naquele país. Lamento muito as mortes já confirmadas dos nossos concidadãos e expresso sentidas condolências às vítimas. Sei que muitos de vós aqui sois também luso venezuelanos. Espero que as vossas famílias estejam bem.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

Desloquei-me a Miami, como saberão, para apoiar e assistir amanhã ao jogo da Seleção de Portugal no Mundial, a Seleção de todos nós. Estou certo de que estaremos todos, dentro e fora do estádio, a torcer pela nossa equipa. É mais um elemento que nos une e que nos une ao nosso país.

Mas é também meu objetivo estar aqui convosco, com os portugueses e lusodescendentes residentes em Miami e no estado da Flórida. Estou aqui com todo o gosto e com vontade de conversarmos e de nos conhecermos melhor ao longo desta receção.

Como tenho dito em várias ocasiões, sou e serei sempre um Presidente de todos os portugueses. Não importa o lugar onde residem. Todos merecem idêntico encorajamento, idêntico apoio, idêntico reconhecimento. A distância não diminui a pertença.

Caros compatriotas,

As comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo são uma parte essencial de Portugal, da Nação portuguesa.

São um ativo valiosíssimo que, com o seu trabalho, o seu empreendedorismo e o seu espírito de iniciativa, contribui diariamente para estreitar o relacionamento entre Portugal e o país de acolhimento e para elevar o nome de Portugal.

A comunidade de origem portuguesa nos Estados Unidos é um bom exemplo. É uma comunidade vasta. Cerca de um milhão e meio de pessoas espalhadas pelo país, e muito diversa nas suas características, profissões e idades, como podemos testemunhar nesta sala.

Uma comunidade presente em todos os domínios da sociedade norte-americana, e muito respeitada.

Não por acaso, assinala-se este mês de junho, nos Estados Unidos, o Portuguese Heritage Month, que valoriza precisamente o contributo da comunidade luso-americana.

E é o caso, muito concretamente, aqui na Flórida, o estado onde mais cresceu a nossa comunidade na última década.

Os números mais recentes apontam para cerca de 15 a 20 mil cidadãos portugueses residentes na Flórida. E, de acordo com os cadernos eleitorais das últimas eleições presidenciais, a Flórida é já a segunda maior circunscrição eleitoral de Portugal nos Estados Unidos.

Destaco e saúdo também, pela sua representatividade aqui, os luso-brasileiros e luso-venezuelanos que neste estado se radicaram.

Agradeço à Senhora Cônsul Honorária de Portugal em Miami todo o apoio que presta à comunidade, na ausência de um Consulado nesta cidade. E deixo igualmente uma palavra de reconhecimento ao Senhor Agostinho Macedo, por ceder gratuitamente as instalações onde a nossa Embaixada em Washington organiza, trimestralmente, as permanências consulares em Miami.

Caros compatriotas,

Portugal e o Presidente da República estão orgulhosos de vós.

Emigrar não é, na maioria das vezes, uma decisão fácil. Exige a coragem de deixar a família, as amizades, o conforto das rotinas, a língua, a gastronomia, o cheiro da terra que se conhece.

Mas é também, cada vez mais, sobretudo para os mais jovens, uma escolha e um desafio de procura de novas experiências e de novas oportunidades.

E cada um de vós é, à sua maneira, um embaixador de Portugal na Flórida. O rosto de Portugal. A expressão do nosso saber, da nossa cultura e do nosso modo de vida.

Acrescento ainda algo que considero importante: a integração nos Estados Unidos, a todos os títulos desejável e louvável, não é incompatível com a manutenção da ligação a Portugal. Pelo contrário. Somos todos orgulhosamente portugueses.

É uma identidade que nos abraça a todos. Aos que viveram muito tempo em Portugal. Aos que de lá saíram cedo. E também aos que não nasceram em Portugal e conhecem o nosso país pelas histórias dos avós, dos pais, ou pelas férias de verão. Todos somos portugueses.

Caros compatriotas,

A língua é o elo mais profundo que uma comunidade pode manter com as suas origens.

É para mim uma prioridade contribuir para que as nossas comunidades no estrangeiro possam continuar a aprender português. Portugal tem a responsabilidade de garantir a essas comunidades uma rede que permita aos seus filhos continuar a aprender a língua.

E as famílias têm a responsabilidade de estimular essa aprendizagem em casa.

Assinalo, a este respeito, o papel essencial desempenhado pelos clubes e associações portuguesas nos Estados Unidos. A todos, o meu muito obrigado.

Hoje, a língua portuguesa é ensinada em 195 escolas nos Estados Unidos, abrangendo cerca de 21 mil alunos.

Há, naturalmente, caminho a percorrer para alargar este número.
O português é uma língua global. É falada por cerca de 260 milhões de pessoas em todo o mundo e constitui um veículo de conhecimento, de ciência e de inovação.

A comunidade portuguesa desempenha também um papel relevantíssimo ao dar a conhecer Portugal ao país de acolhimento.

Noto, a este respeito, o aumento muito assinalável do turismo norte-americano em Portugal e das ligações aéreas entre os nossos dois países. Em 2026, os Estados Unidos tornaram-se já o terceiro maior mercado emissor de turismo para Portugal, apenas atrás do Reino Unido, da Alemanha e da França.

Os norte-americanos que visitam Portugal, e também as nossas comunidades que há muito partiram, encontram um país moderno, aberto ao mundo, comprometido com a inovação e com o conhecimento.

Um país que se transformou profundamente nas últimas décadas, contando para esse processo, também, com o contributo da diáspora.

E um país aberto a receber os portugueses que decidam regressar.

Caros compatriotas,

Não queria terminar sem uma palavra sobre os Estados Unidos da América, o país onde nos encontramos, e que tem sido casa para tantos milhares de portugueses.

Portugal e os Estados Unidos são países amigos e aliados.
Parceiros em termos políticos, económicos, geoestratégicos, de segurança e defesa.

Partilhamos valores e interesses comuns assentes na defesa da democracia e do Estado de Direito.

A relação transatlântica, na sua aceção mais ampla, e a relação com os EUA mais especificamente são um eixo estruturante e perene da política externa portuguesa.

Não é algo que se altere em função de quaisquer razões conjunturais. É uma parceria que se renova, uma parceria entre iguais e que, como todas as amizades verdadeiras não exige concordância permanente. Exige sim lealdade, reciprocidade e respeito.

Do meu lado, tudo farei para que o relacionamento entre Portugal e os EUA se intensifique em benefício de ambos os países e ambos os povos e tendo sempre como pano de fundo no meu pensamento a nossa numerosa comunidade portuguesa nos EUA que tem apenas a ganhar com um profícuo relacionamento entre Portugal e EUA.

Caros compatriotas,

Frequentemente é quando estamos longe que mais sentimos o perfume de Portugal.

Os traços identitários, a sonoridade da língua, as memórias de momentos marcantes das nossas vidas e das nossas comunidades.

E este encontro é um desses momentos. Portugal está aqui. É visível no falar, nos rostos, nos gestos e na cortesia com que me receberam.

Interpreto-o como sinais de quem partiu há décadas e nunca deixou de ser português.

Vejo-o nos mais jovens que constroem aqui o seu futuro, mas continuam a partilhar as experiências com os amigos que estão longe. Sente-se até no sotaque americano que se emociona com a memória da língua dos avós, com as sonoridades da música ou com os aromas da gastronomia tradicional portuguesa. A luso-descendência que vive intensamente as emoções quando veste a camisola da seleção nacional.

Sim, sem dúvida, somos um mosaico de partilhas e emoções. E, felizmente, convivemos bem com isso. Por vezes até nos divertimos com essa pluralidade de expressões e modos de vida.

É também indiscutível que cada um de nós tem na sua experiência, na sua família ou na relação próxima com amigos este traço da Nação portuguesa: uma comunidade de afetos que atravessa oceanos e gerações. Aliás, este encontro é a prova viva do que acabo de dizer. De que se pode estar a milhares de quilómetros de Portugal e, ao mesmo tempo, carregá-lo inteiro no coração.

Na verdade, Portugal é muito maior do que um mapa. A nossa força não se mede apenas pelos que vivem em Portugal, mas também por todos vós, que o representam com dignidade onde quer que estejam.

Amanhã, quando a nossa Seleção entrar em campo estaremos todos juntos. Não há linhas a separar os de cá e os de lá. Estamos todos unidos pela mesma bandeira e pela mesma emoção. E essa é, talvez, a imagem mais bela do que significa ser português: estar espalhado pelo mundo e, ainda assim, bater como um só coração.

Obrigado por aquilo que são. Obrigado por nunca deixarem de ser portugueses.

E vamos, Portugal!

Muito obrigado.