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Presidente da República lamenta a morte de Jorge Palma

Foi com enorme tristeza e consternação que o Presidente da República tomou conhecimento da morte de Jorge Palma (1950-2026). Portugal despede-se de um dos seus ícones e de um dos grandes poetas da nossa música e da nossa sensibilidade. As suas canções hão de ficar como uma recordação intensa e profunda da nossa melancolia; elas marcaram a vida portuguesa durante décadas e, por muito tempo, hão de iluminar a memória de várias gerações.

Os acordes, os ritmos e as melodias de temas inesquecíveis como “Bairro do amor”, “Na terra dos sonhos”, “Deixa-me rir”, “Frágil”, “Encosta-te a Mim”, “A Gente Vai Continuar”, “Dá-me Lume” ou “Estrela do Mar” recordarão o seu lirismo imprevisível e nunca de efeito fácil ou efémero. Além de criador e intérprete de exceção, Jorge Palma foi também um artista que colaborou e trabalhou com muitos outros companheiros, mostrando sempre uma rara versatilidade e ecletismo, o que fez dele uma referência da nossa história musical ao longo dos últimos cinquenta anos. Para todos eles, trabalhar com Jorge Palma constituiu um momento raro e irrepetível das suas vidas.

Herdeiro de tradições musicais e literárias muito diversas e complexas, por vezes inesperadas ou improváveis, Jorge Palma emprestou à música portuguesa um caráter único e uma busca incessante da beleza que construiu uma utopia da amizade, do amor, da generosidade – e do riso. De certa maneira, todos habitámos o seu bairro do amor, todos nos rimos com os seus versos, todos nos sentimos frágeis, todos prometemos continuar a ser aqueles que fomos quando cantámos as suas canções pela primeira vez ou quando elas deram sentido às nossas vidas.

Agraciado com a Ordem do Infante D. Henrique em 2020, o autor de “O meu amor existe” transportou para a sua música um talento raro e precioso que nos contagiou a todos com o seu vírus de harmonia, beleza e rebeldia. É assim que o ouviremos até ao fim. A gente vai continuar.

Estava previsto que este ano Jorge Palma participasse no programa da recente Festa do Livro em Belém. Infelizmente, já não pôde juntar-se a nós devido ao seu estado de saúde. Por isso são ainda mais intensos o choque e a tristeza vividos hoje, com a notícia da sua morte.

Aos seus filhos Vicente e Francisco, à sua mulher Rita, bem como à sua família e colaboradores, e a todos os artistas que estiveram ligados à sua música e à sua carreira, o Presidente da República apresenta as suas condolências.